Uma pisada no freio durante os percursos da estrada até aqui
Teremos episódio de Supernatural somente na primeira quarta-feira de dezembro em virtude da semana de Ação de Graças. Após o banquete que foi o último episódio, ficamos tão famintos quanto Amara e ansiosos pela refeição desta semana, que deixou um gostinho de quero mais. É quase estatístico que depois de tantos episódios de bom/ótimo calibre, seria preciso recarregar a munição. Saímos do “cinema 3D” para uma “sessão da tarde”, o que não é sinônimo de algo ruim, mas daquele entretenimento mais descompromissado, “for fun” que até valeria a pena ver de novo. Esta foi a ideia aqui: entregar aos fãs um “episódio de ação de graças”, compensando os fãs com um conto fantasma que esperavam em “Thin Lizzie” e ao mesmo tempo nos graciando com um plot mais saudosista.
Fran (Victoria Bidewell) e Stanley Hinkle (Kurt Douglas Purdy) vivem mais um belo dia de monotonia conjugal. Quem nunca? Stan não é capaz de levantar do sofá e ainda cospe no prato que come ao comparar a comida da esposa com o lixo transbordando que ele não recolhe. Mas isso é o suficiente para ele merecer a morte? Apesar do estranhamento causado pelo inusitado assassino, este
prólogo no roteiro escrito por Eric Charmelo e Nicole Snyder se certifica de que não haja empatia entre Stan e o espectador, atribuindo algum senso radical de justiça e castigo merecido. Mas, por quê? Difícil não sentir aquele frio na barriga quando uma cabeça de coelho (?!) protagoniza um assassinato. Cientes disso, as orações de Sam servem para garantir que mesmo reservado para outro momento, o arco principal não foi simplesmente deixado de lado como parecia. A porta aberta do quarto, mesmo num momento tão particular reforça a ideia de transparência entre os irmãos e a dificuldade em encontrar maiores respostas sobre a Escuridão serve como justificativa para lidar como um caso menor.
A Xerife Donna Hanscum (Brianna Buckmaster) não chega a ser uma coadjuvante favorita, especialmente por ser sinônimo de aleatoriedade em episódios fillers. Mas no fundo, não é tão difícil simpatizar com ela, que sempre consegue captar aquela essência do povo do norte/centro-oeste americano e transformá-la em uma peculiaridade relativamente charmosa. É raro ver personagens que surgem ao longo de Supernatural continuarem vivendo em seus próprios paradigmas, mas até agora Donna parece estar indo bem em levar jeito para lidar com o sobrenatural, sem perder seu carisma cômico, o que certamente explica o fato dela ser escolhida para retornar. Seu subplot com o oficial Doug Stover foi um tanto “seco” e por vezes destoante,
falhando em conectar o “casal” e o fazendo soar desnecessário em algumas aparições. Todavia, a constante presteza, simpatia e o semblante terno de sua fisionomia, consegue criar empatia o suficiente para nós temermos por um destino ingrato ao enfrentar o coelho. O que para um personagem quase figurante, com tão poucas falas, é algo
considerável que demonstra que Brendan Taylor é bom ator. Assim sendo, o roteiro poderia ser mais homogêneo e atribuir a ele diálogos mais complementares. Por um lado, a relutância da Xerife serviu para impedir um romance em meio ao caso, além de trazer credibilidade ao profissionalismo da loira
As piadas traduziam um bocado do que sentíamos em relação ao quão ridículo tudo parecia, mas ao
subestimar a “criatura animada” Dean quase teve sua cabeça arrancada. É importante que os irmãos não se esqueçam de jamais subestimar um inimigo, nem julgar um livro pela capa. Por mais misterioso que fosse, um “coelho” jamais seria digno dos Winchester. Portanto, o roteiro foi feliz em evitar que eles mesmos precisassem “arregaçar as mangas” para detê-lo, tornando a policia local mais efetiva que o habitual. Mas o “Pernalonga do mal” na cela foi um bom momento da direção de Tim Andrew que conseguiu transmitir melhor ali, a aura sombria e ameaçadora do desconhecido, com um pouco de silencio e meia luz no cenário. Se houvesse mais escuridão, essa sensação Dark contribuiria melhor para o teor intrigante acerca do coelho assassino. Mas apesar de tudo soar um tanto exagerado, as fantasias conseguem através do mistério, atenuar um pouco do sinistro e do surreal que costumava causar assombro nos primórdios da série
A diversidade de figurinos foi um bom contraponto, visto que o coelho não seguraria o episódio e a Arlequim (Cate Sproule) causa um estranhamento maior do que sua presença em si. Por um lado, houve o detalhe de justificar a força de um atleta para conseguir intervir, mas por outro, soa forçado que mesmo diante do espelho, a visão periférica de Brock (James R. Swalm) não notasse a presença dela até que treinador Phil (Bruce Blain) quase morresse. Um fantasma possuindo vários trajes foi uma ideia boa que perde efeito muito rápido e acaba passeando pelo engraçado quando o palhaço assassino surge diante de Sam. Relembramos que apesar de parecer meio “brega”, é até engraçado vermos algo relativamente singelo causar tamanho desconforto a um exímio caçador, mesmo de uma forma tão superficial, sem precisar dizer ou fazer muito para se tornar mais ameaçador. Gostava da interpretação de Brigid Brannagh na série Angel (Spin-Off de Buffy, a caça vampiros) quase 1 5 anos atrás, onde já demonstrava seu talento como atriz. Mas o que realmente transmite uma sensação de “dejavu” é que tanto Phil quanto Stan, pareciam personagens quase merecedores de seu destino, mesmo sem sabermos o que eles fizeram com Chester (Adrian Glynn McMorran). Era tão necessário assim pintá-los como pessoas “desprezíveis” antes que soubéssemos por que eles foram eleitos como alvo? Esse detalhes refletem a dicotomia daqueles personagens que sentem que podem tomar a lei em suas próprias.
É fato, este foi o episódio menos empolgante da temporada. Mas a questão é que os Winchester tem decorado os passos dessa dança tantas vezes, que surpresas realmente pequenas se reservam hoje em dia a fantasmas e isso fica claro, principalmente na postura sarcástica de Dean. Foi um conto um pouco mais morno, porém com momentos interessantes. Donna tornou o episódio um tanto mais “dietético” do que o habitual conforme o roteiro pedia e neste contexto, podemos saudar a atriz pelo êxito em exprimir o equilíbrio de sua personalidade afável em contraste com suas incontestáveis aptidões como agente da lei. Espero que caso ressurja no futuro, ela nos surpreenda com uma faceta mais tempestuosa para apreciarmos mais versatilidade em suas aparições. Não se tratou de um enredo previsível, mas sim ousado numa eficiente simplicidade, visto que os envolvidos tiveram resoluções mais desafiadoras. De um modo geral, os personagens centrais foram exitosos em despertar tanto apatia quanto empatia, como o filho de Rita, Logan (Max Dale). É louvável resgatar mais dos tempos áureos e Charmelo e Snyder precisavam adicionar ingredientes que tornassem o roteiro mais palatavel, algo que Robert Berens consegue com louvor, sempre inovando na criatividade e inspiração, mesmo como consultor de edição no roteiro.
Por fim, foi interessante termos melhor noção do significado das visões na perspectiva do próprio Sam, que também acredita se tratar mesmo da jaula de Lucy, embora ainda não saibamos o que realmente signifique. Podemos supor que “Lucy&Mike”tenham as respostas para deter a Escuridão e quem sabe até as armas, das
quais a munição seria os próprios Winchester. Mas há de ter algo mais evasivo e sinistro ainda não revelado reservado para este plot. Sobre as visões, talvez Deus não seja o único responsável possível. Creio que algo mais além esteja rolando, por que Dean não deveria estar tão em segundo plano nesse quesito. Não há nenhum ponto que especifique o porquê isso está sendo compartilhado apenas com um irmão já que John Jovem mencionou que a escuridão era com ambos os rapazes e sequer mencionou sobre a jaula. Dean pode não acreditar que seja possível, mas ele não também pode ignorar visões como essa, além do fato da Escuridão estar rondando sobre ele. Assim sendo, ele não deve deixar de considerar todas as hipóteses, ou acabará sendo involuntariamente negligente em seu papel e é importante que ambos se mantenham sintonizados em todos os aspectos, uma vez que após a revelação sobre Deus e a Escuridão, o equilíbrio é a chave do progresso em todos os planos. Não deixe seu faro caçador no Stand By, Dean! Qual sua opinião?
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