[REVIEW] Comentando o Episódio 11.06 – “Our Little World” de Supernatural

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[REVIEW] Comentando o Episódio 11.06 – “Our Little World” de Supernatural
Carry on my wayward Daughter” (Siga em frente minha filha desobediente)

SIM, Supernatural nos entregou seis episódios consecutivos sem realmente deixar a peteca cair. NÃO, não houve episódios ruins na estrada até aqui no km 11 da rodovia Winchester. Mesmo os episódios menos grandiosos, todos podem ser ser considerados bons episódios, considerando se manteram interligados ao arco principal. Se manter este ritmo progressivo, a temporada pode figurar entre as melhores de toda a série e se audiência permitir, garantir o 12ª ano. Sigam-nos os Hunters!

Supernatural_4821-4950Empenhada em sua odisseia particular, Amara (Yasmeene Lily-Elle Ball) continua a espreitar pelas ruas escuras de Fall River e consegue evoluir sua forma humana, devorando almas repletas de juventude, desobediência e rebeldia no cardápio. Sempre inspirado, o roteiro de Robert Berens deixa a própria Escuridão descalça para evitar que seu Tio zeloso ouça seus passos depois da hora de dormir (quem nunca?), mas os ouvidos do Rei não são menos aguçados que seu sarcasmo infernal e presenciamos o Tio que virou Pai, castigando a “menina superpoderosa do mal”. Todavia, Crowley se encarrega de deixar claro o teor disciplinar de seu castigo, demonstrando ser um pai postiço, não apenas mais forte, mas também justo. A paternidade lhe cai bem, Ferguson.

Supernatural_6841-6909Sensato, Sammy reivindica por Castiel, relembrando o quanto ele é o “coringa Winchester” no negócio da família. Apesar dos hilários momentos metafóricos e impagáveis que só ele consegue proporcionar, convenhamos que deixa-lo no banco de reserva por tanto tempo é um pecado mortal. Porém, sua coragem ainda assombrada pela insegurança é utilizada como contraponto à sua monotonia, resgatando mais de seu lado cômico em frente a tv. Matar Lenny fora da tela, pegou de surpresa, pois se tratando de personagens secundários interessantes, é uma pena serem lançados à morte, tão rápido. Mas é fato que mesmo Offscreen, o “Ghostfacer” é a bussola que leva os irmãos até a ultima desalmada por Amara, na descoberta do “esquema queima de arquivo” executado pelos minions de Crowley, com direito a “Devil’s Trap”.

Através do demônio (Dan Willows) capturado pelos irmãos, o episódio resgata uma essência mais “old school” que há um bom tempo não se manifestava em demônios inferiores. Astuto, ele quase consegue passar a perna nos irmãos com seus blefes, o que é ótimo, pois mostra que os demônios estão acordando novamente, conforme ilustrado no diálogo entre o anjo e o demônio no terceiro episódio. A direção de John F. Showalter se destaca ao enfatizar o entrosamento entre Sam e Dean trabalhando na análise das pistas onde a investigação flui numa estimulante dinâmica cênica que aborda com mais detalhes um pouco mais do senso logístico que também faz parte do negócio da família.



Metatron sempre soa como uma injustiça ao enredo, sendo o joio do trigo que acaba dando aquele empurrãozinho ladeira abaixo no entusiasmo com seu timing que nos atropela como um trem-bala, reflexo das convincentes atuações de Curtis Armstrong. Berens retifica o quanto experienciar a humanidade trouxe efeitos colaterais a “Marv”. Seu raciocínio já não é mais tão 
Supernatural_29979-30052engenhoso (debaixo do colchão… sério?) e tão pouco sua lábia persuasiva, como “beneficio” da nova estrutura orgânica que gera suas constantes declarações de infortúnio. Ser humano é ótimo, não “Marv”? O acerto de contas com o escriba trouxe muito da claridade que almejávamos para Cass, que surpreende na perspicácia em rastrear Metatron e recuperar a tábua dos demônios. Esperávamos uma reviravolta mais intensa para reuperar a tábua? Sim. Mas não se engane com a aparente simplicidade do desfecho, pois o objetivo aqui consiste em contemplamos a retomada da determinação do anjo caído. E netflix só depois do dever de casa, Castiel!

Supernatural_38046-38115O plot castiélico se redime concedendo ao anjo talvez a maior revelação da temporada: Amara é irmã de Deus. Tal revelação traz um leque de possibilidades que pode redefinir o conceito existencial do termo fraternidade, não apenas no que envolve os Winchester, mas os alicerces de toda a existência, incluindo Caim e Abel, Lucifer e Miguel, Sam e Dean, Deus e Amara. Todo o legado destes irmãos (e de todos que existiram e existem) é algum tipo de reflexo ressonante originado na pré-existência do mundo? A resposta seria não, já que o conflito que marca estas relações entre irmãos seria o fruto da intervenção divina. Logo, ao aprisionar sua irmã para criar o mundo, Deus teria alterado a ordem natural da existência, consequentemente marcada (pela marca de Caim inclusive) com a tendência deste paradigma natural das divergências fraternas, como o ciúme, por exemplo. Isto tornaria Deus culpado? Responsável é o termo apropriado. Atribuir culpa seria um equívoco, pois não temos um panorama completo para chegar a esta conclusão e para isto, é preciso ver como se conduzirá questões como essa ao longo da trajetória. Mas podemos afirmar que isso só prova que nem mesmo Deus seria perfeito e que a perfeição é conceitual.

Supernatural_39961-40087Rei que é Rei, não perde sua coroa, nem seu trono. Estritamente implacável, Crowley declara que enfim não hesitará em acabar definitivamente com Dean. Este rompante demonstra um efeito colateral da escuridão, onde aqueles que se conectam com ela de forma mais profunda atingem níveis singulares de consciência e instinto. Como um ser humano, Dean sentiu apenas uma força primordial dentro de si, que numa reação em cadeia, o deixou sem reação diante de Amara, até Sam interromper essa conexão para que enfim ele pudesse reagir e tentar atingi-la, sem sucesso.

Supernatural_41901-42033Hipóteses a parte, o conceito de irmandade é interessante por atribuir um novo prisma sobre algo que não se limita apenas ao conceito de existência que conhecemos. Diante das declarações de Amara, podemos afirmar que não se trata propriamente de vingança, nem é nada insignificante ou mesmo ciúmes, mas justiça. Paixão por Dean? Trata-se mais de um forte senso de cobiça e deslumbre pela obraprima da qual ela foi privada pelo irmão: a criação. Como ela decifrará e lidará com os sentimentos e instintos que sua humanidade há de desper é uma dúvida, especialmente por ter abdicado de qualquer processo orientacional  ao “romper” com Crowley. Mas quem sabe esta conexão não possa ser uma carta na manga para Dean? Resta saber como ele será afetado adiante, visto que o que vimos, apesar de denso, foi algo substancialmente superficial. Ou seja, há de ir muito mais além do que uma “transfusão de olhares”.

Supernatural_51074-51193Há evidências emocionais que indicam que Amara/Escuridão (Samantha Isler) tentará desfazer o mundo como parte do que seria sua vingança, mas não podemos afirmar visto que ela demonstrou mais do que tudo, claridade sobre seu destino e liberdade ao caminhar entre a multidão. Já havia cogitado a possibilidade de que a Escuridão fosse uma entidade irmã de Deus, uma vez que ela é capaz de supostamente superar seu poder. Mas se Deus é o irmão e ela é a irmã, haveria um Pai ou mãe? Se sim, quem e como? Será preciso “Deus e Deusa” juntos em uma pequena sessão de terapia familiar para elucidarmos melhor a questão e os irmãos Winchester também precisarão entender o plano como um todo. Vai ser algo bem interessante de se ver.

Supernatural_55277-55356A faca de Ruby seria realmente capaz de matar a Escuridão? A resposta seria não, já que ela não é um demônio. Mas Amara, o receptáculo humano, talvez sim. Neutralizando Dean, ela pode ter impedido que ele morresse em vão na tentativa. Explico: Como um ser onipotente, é provável que houvesse uma espécie de efeito colateral reagente se ela fosse atingida com um artefato sobrenatural, assim como na explosão de Dick Roman no final da sétima temporada, onde aqueles que o atingiram foram também fatalmente destruídos com ele. Dessa forma, ela estaria na verdade preservando a imaculada obra da criação que Deus tomou dela o privilégio. E por que ele faria isso com a própria irmã? Ainda não há como dizer. Podemos supor que na melhor das intenções, O todo poderoso almejava que sua criação não fosse infectada pelas trevas da Escuridão.

Supernatural_59228-59388Crowley projetou-se como um tutor persuasivo, mas que no meio do caminho acabou experimentando o agridoce sabor da “paternidade”. A relação Amara & Crowley divertiu enquanto durou, mas infelizmente o Rei não está convencendo de que deva permanecer no trono. Tanto dentro quanto fora da tela, ele vem direcionando suas pegadas de sapatos lustrosos para caminhos cada vez mais nebulosos. Se sua postura não se mantiver implacável, os dias de reinado do demônio de olhos vermelhos estarão contados. É verdade também que tudo isso pode contribuir ainda mais para que sua ambição resplandeça seu infinito maniqueísmo. Nos resta, assim como ele, sentar, refletir e nos perguntarmos: E agora, Ferguson?

Supernatural_58012-58172Apesar de um tanto implícitas, as visões de Sam apontam para interessantes teorias. A mais simples e óbvia seria de que ele está vendo a prisão de Lúcifer e o próprio diabo, enquanto ainda preso. Mas se sairmos do óbvio, previsível e passearmos pelo inusitado, quem sabe “O senhor da mentira” nem esteja mais lá? A jaula de imediato remete a Tio Lucy, mas confesso que em seguida me ocorreu que as mãos fossem de Adam. A mensagem de John jovem no Impala poderia ter sido sobre o “Winchester bastardo”. Ou mais inusitado, porém não impossível, que Lucy propositadamente tenha permitido que Sam fosse resgatado da jaula na intenção de reservar seu receptáculo para o futuro na terra. Se considerarmos o fato de que ambos são receptáculos predestinados de “Lucy e Mike”, que driblaram um destino que pode ser inevitável, faria ainda mais sentido.

Isso explicaria também a veemência de Morte em exclamar a necessidade de Sam ser morto pelo irmão (assim como a missão de Michael era deter o irmão, Lúcifer), na tentativa de prevenir que a Escuridão fosse libertada. Em síntese, Lucy estaria ciente de que retornaria cedo ou tarde enquanto houver Sam Winchester na terra. “É Lucifer no inferno e Sam na terra”. Outra hipótese seria estarmos vendo eventos do passado e quem sabe foss Escuridão aprisionada e ele esteja vendo isso do ponto de vista de Deus. Se John no Impala for realmente Deus falando com o Caçula Winchester, faria sentido, visto que ele enfatizou a escuridão em sua mensagem.


Supernatural_59748-59994“Girl, You’ll Be a Woman Soon” (Você será uma mulher em breve, Garota) é uma composição da banda de Rock Alternativo Urge Overkill, formada em 1 986, famosa por ser trilha sonora do filme Pulp Fiction (1994)do cineasta Quentin Tarantino. Mas as referências vão além da letra, pois a canção também faz referencia à personagem Mia Wallace (Uma Thurman) que era namorada de gângster e viciada em heroína que após sofrer overdose, é reanimada com uma injeção de adrenalina direto no coração. Numa alusão, Amara é a “viciada” (em almas) da vez, que acabou de receber uma dose de adrenalina no coração por Dean. Porém, sua overdose será de poder. Não obstante, a letra também diz: “… pegue minha mão… você precisará de um homem”. Se este homem for Dean, quem sabe Deanmon não possa ressurgir e se tornar seu gangster?

Supernatural_45995-46128Foi interessante ver Sam algemando demonios. Através dessa inspirada iniciativa, Sammy atribui um novo folego ao contexto “salvar pessoas” para si. Todavia, Aide (Araz Yaghoubi) outro “Miniom durão”, mostra que nem todo demonio se prostrará à rendição, deixando claro que haverá momentos em que será inevitável reconsiderar. Se Dean for legitimamente “seduzido” por Amara quando ela estiver na plenitude de seus poderes e Deus estabelecer uma conexão com Sam suficiente para ganha-lo à seu lado, talvez vejamos mais um confronto colossal de irmão contra irmão, não muito diferente de quando “Samifer” esteve a beira de consolidar o Armageddon. Mas para isso, Sam poderia precisar salvar o irmão e quem inverter papéis encontrando um meio de Lucyincorporar Dean e conseguir confrontar a escuridão pelo lado negro da força. E se fosse necessário dizer “sim” para Miguel? Qual sua opinião?

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